Folkcomunicação, Cidadania e Inclusão Social no Contexto das Rurbanidades

XVIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação
Recife – 3, 4 e 5 de maio de 2017

 

Folkcom 2017

 

As pesquisas de fenômenos sociais, na perspectiva teórica da Folkcomunicação, mostram, desde sua origem, interesse sobre o potencial político emancipatório das manifestações populares e a contribuição destes modos de expressão para o desenvolvimento das comunidades. A sistematização dos estudos nessa área, cujo marco foi a realização da I Folkcom, teve o apoio da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, com sede na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), um sinalizador de que a Folkcomunicação tem forte aderência com os estudos que visam pautar o que pode significar distintas ideias de desenvolvimento social.

Atentos a essa relação, a XVIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação abordará, em 2017, o tema central Folkcomunicação, Cidadania e Inclusão Social.

Trata-se de uma abordagem interdisciplinar que objetiva reunir diferentes olhares sobre a contribuição da Folkcomunicação e da inclusão social aos debates na interface entre comunicação e cultura. A Folkcom 2017 vem, portanto, apresentar à comunidade acadêmica brasileira de ciências da comunicação e de áreas afins uma discussão premente sobre questões que afetam a sociedade brasileira contemporânea.

Desde 1998, a Conferência Brasileira de Folkcomunicação reúne pesquisadores, professores, estudantes, comunidades artística e jornalística, atores sociais ligados ao campo da cultura em torno da pesquisa das transformações da cultura popular e dos processos de comunicação nas manifestações populares, identificando os sistemas que as configuram enquanto espaços de crítica social, entretenimento cultural e de celebração cívica, além de analisar criticamente como a indústria midiática catalisa tais modos de pensar, sentir e agir dos grupos sociais e das comunidades.

A perspectiva interdisciplinar deste XVIII encontro propõe diretrizes teóricas e práticas que respondam às demandas socioculturais, tendo em vista assimetrias e exclusões educacionais, sociais, culturais, linguísticas, jurídicas, econômicas e da saúde, historicamente presentes. Até os dias atuais a diferença continua sendo valorada de forma depreciativa, em consequência, estar fora dos padrões sociais hegemônicos resulta em maior vulnerabilidade e exclusão social. Com isso, aquele que não se enquadra nos padrões hegemônicos (raça, etnia, sexo, classe, social, gênero, geração, povos tradicionais, etc.) vive em condições menos favoráveis e passa a ser alvo habitual de preconceito e discriminação, o que resulta em exclusão da cidadania e falta de acesso e fruição a direitos considerados fundamentais, comprometendo, assim, o mínimo indispensável a uma vida digna.

Com o objetivo de analisar, em especial, a situação concreta dos grupos populacionais socialmente vulneráveis (agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas, povos indígenas e seguimentos incluídos nestes no âmbito da questão de gênero, geração, pessoas com deficiência, pessoas transgêneras, homossexuais, integrantes de grupos étnico raciais etc.), a fim de identificar as suas particularidades e quais as medidas necessárias para promover, com criatividade pesquisas, programas, projetos e políticas públicas de inclusão social e acesso à cidadania através dos estudos folkcomunicacionais.

É indispensável, portanto, a participação de pesquisadores profissionais qualificados capazes de pensar criticamente e atuar em atividades ligadas à pesquisa, desenvolvimento social e docência em questões prioritárias para a melhoria da qualidade de vida desse grupo de indivíduos, em suas múltiplas representações e em variadas formas de produção/socialização/transmissão, sem perder de vista um horizonte teórico crítico de amplitude nacional/internacional, de forma que possa contribuir com o desenvolvimento do capital intelectual.

Este encontro visa aprofundar a reflexão crítica interdisciplinar sobre as relações que permeiam o debate contemporâneo também para a garantia da igualdade e da dignidade, é constituída por estudos sobre suas relações e interfaces, que são constructos da cidadania e do combate às diversas violências nessas áreas.

Reconhecer a contribuição da ciência interdisciplinar para o alcance de novas perspectivas em torno das garantias fundamentais e da preservação dos direitos humanos relacionada aos processos complexos que envolvem as diversas formas de negação de direitos: as dominações, as práticas discricionárias contra grupos sociais, as formas de controle social pelo Estado.
Pensar a Sociedade como espaço simbólico em que se forjam identidades e onde se constroem estratégias de opressão, mas também de libertação, por isso reconhece os sujeitos históricos, suas novas práticas de liberdade e expressão das subjetividades.

Discutir o problema da diferença e seu papel na construção da cidadania a partir de estudos culturais e históricos com ênfase no debate contemporâneo sobre as intersubjetividades, memória social, identidade, gênero, sexualidade, diversidade cultural, imaginário, discurso e linguagem, tecnologias, expressões artísticas, modos de fazer e de saber, assim como as configurações sociais e as práticas simbólicas de comunidades tradicionais indígenas e ou quilombolas, afrodescendentes, imigrantes, pessoas com necessidades especiais, assim como as relações de poder nas zonas rurais para o fortalecimento de seus saberes e práticas.

Estimular, também, pesquisas que identificam as dinâmicas das manifestações artísticas – cinema, teatro, literatura, televisão – e das práticas culturais e formas de sociabilidade urbana na diversidade das rebeldias no espaço público, como festas populares, intervenções urbanas e nas redes sociais; e, finalmente, as pesquisas que analisam as formas de comportamento e de relacionamento interpessoais e nos redimensionamentos do viver em sociedade.

Nos estudos folkcomunicacionais tem ficado evidente que nem tudo que se moderniza necessariamente se ocidentaliza, e também nem tudo que se ocidentaliza necessariamente se moderniza. Esta tem sido uma das grandes tensões que os campos da comunicação e da cultura vivenciam como questão no mundo contemporâneo, e que os pesquisadores da Rede Folkcom vêm debatendo, em especial nas práticas da cultura popular e com ênfase nas práticas folclóricas como outros modos de saber, de conhecer e de se comunicar.

A cidade de Recife caracteriza-se pela diversidade étnica e pela atuação de distintos movimentos sociais, invariavelmente ligados ao folclore e às culturas populares. A realização da Conferência Folkcom na cidade visa reforçar as condições de debate sobre as relações entre comunicação e cultura na perspectiva da Folkcomunicação, definida por Luiz Beltrão como “o conjunto de procedimentos de intercâmbio de informações, ideias, opiniões e atitudes dos públicos marginalizados urbanos e rurais, através de agentes e meios ligados ao folclore” (BELTRÃO, 1980, p. 24).

Nesse sentido, a XVIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação contribuirá para estimular e desenvolver os debates sobre as relações entre comunicação e cultura popular, notadamente o folclore, enquanto a instituição acadêmica receptora do evento, no caso a UFRPE, exerce o seu papel de agregadora e dispersora de novas informações produzidas no ambiente acadêmico. Notadamente de característica interdisciplinar, o evento agregará professores e pesquisadores de formações distintas e de atuação em cursos de diferentes áreas do conhecimento. Será uma oportunidade para que a comunidade acadêmica da UFRPE receba e recepcione professores, pesquisadores e alunos de todas as regiões do país, promovendo não só debates acadêmicos durante o evento, mas construindo uma ponte permanente de integração da pesquisa produzida na UFRPE com a pesquisa em comunicação e cultura desenvolvida em outras universidades do país e fora também.

A parceria para a Conferência de Recife em 2017 é com o Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), como realizadores locais, com participação de docentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGEM-UFRN) e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PPGJor-UEPG) e o acompanhamento já histórico da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento. A Folkcom 2017 terá participação especial do Núcleo  de Pós-graduação – NUFA – UNIT/FACIPE).

O evento contará com o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES).