Mesa redonda discute a obra e os pensamentos de Roberto Benjamin

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Foto: Alyrson Aguilar/Agência Fotec

Alyrson Aguilar

O terceiro dia da Folkcom 2017 segue a todo vapor, nesta quinta-feira (04). As atividades  de hoje acontecem na FACIPE (Faculdade Integrada de Pernambuco), sendo a primeira delas a Mesa-redonda 2: “Pensamento e Obra de Roberto Benjamin”. Autor de obras como “Folkcomunicação e difusão de inovações”, “Carnaval, cortejos e improvisos”e “A África está em nós”, Benjamin foi referência no campo de pesquisa e na produção jornalística sobre a cultura popular. Mediada pelo Dr. Luis Custódio da Silva da UEPB, a fala inicial foi da Dra. Alice Amorim, da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ, que ressaltou a relação do jornalista Roberto Benjamin com as tradições e os festejos antigos, bem como a sua sensibilidade para compreender o conjunto.

Ao falar sobre carnaval, por exemplo, Benjamin se ocupava em analisar o sistema dessa cultura: às vezes um personagem, um objeto ou uma situação, levando em conta os aspectos conceituais e os contextos econômicos. Segundo Amorim, Roberto Benjamin acreditava que as festas populares garantiam um espaço democrático e um anonimato das máscaras. Sua pesquisa perpassa por três pilares: pesquisa de campo (ele se permitia adentrar em todos os espaços como engenhos e subúrbios, por exemplo), bibliográfico e documental (acervos e arquivos). Benjamin tinha a capacidade de catalogar as diversidades nas manifestações e observar seu caráter político. Como resultado, se tornou um grande articulador entre os pesquisadores e o setor público. Foi também autor de artigos com caráter crítico, questionador e observador, como as relações que ele fazia da negritude dentro das tradições populares.

O pesquisador José Fernando Souza apresentou aspectos mais biográficas e relatos pessoais que ele mesmo presenciou. Souza fez questão de demonstrar o envolvimento que Benjamin tinha com o mundo das ideias e com sua espontaneidade de criação nos contextos sociais, refletindo valores de um determinado coletivo. Em seguida, a Dra. Salett Tauk Santos, do Programa de Pós-graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (POSMEX/UFRPE), se concentrou nos aspectos teórico-metodológicos de pesquisa e afirmou que Roberto Benjamin foi um “mestre maior da ciência do povo”. Salett ressaltou sua postura doce adicionada à sua austeridade que o acompanhava desde o tempo em que ele era promotor de justiça. Sua atuação rompia os muros da universidade, sendo coordenador de GTs em Folkcomunicação na Intercom e na ALAIC (Associação Latina Americana de Investigadores em Comunicação).

O professor Alfredo Sotero, da Universidade Católica de Pernambuco, apontou os desenhos que Roberto Benjamin fazia questão de ter em seus trabalhos. Para ele,  o uso do desenho como técnica de representação esquemática de objetos e processos recria ambientes ideais quando a fotografia não for capaz de documentar, ainda que as fotografias e vídeos não dispensem o desenho.

Severino Lucena, Dr. do Programa de Pós-graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da UFRPE, destacou a forma singular com a qual Benjamin conduzia sua orientações para seus alunos. Finalizando as falas, o Ms. Guilherme Fernandes, da UFJF, contou sobre as escolhas dos textos e organização do livro “Roberto Benjamin: pesquisa, andanças e legado”, organizado pelo próprio Fernandes, juntamente com Luis Custódio da Silva, José Fernando Souza [presentes na mesa], Júnia Martins, Maria José Oliveira e José Marque de Melo. A obra é da própria editora da UEPB, e foi lançada logo após a mesa-redonda.

Sobre o livro, Salett Santos afirmou ser necessário narrá-lo: “Ficam as narrativas para que a obra de Benjamin não morra nunca”.

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